Post publicado
GaierOnBoard: um lugar para aquilo que venho construindo
14/07/2026
Um lugar para aquilo que venho construindo
Há algum tempo, quando alguém queria conhecer meus projetos, eu indicava meu GitHub.
Era a resposta mais lógica. Afinal, boa parte do que eu desenvolvia estava lá: código, documentação, histórico de alterações, versões e algumas instruções para quem quisesse executar os projetos.
Mas comecei a perceber que aquela resposta já não mostrava tudo.
Meu GitHub contava bem a história do código que eu podia publicar. Não contava, porém, toda a história daquilo que eu vinha construindo.
Alguns projetos tinham repositório público e instalador disponível. Outros estavam em desenvolvimento. Também havia sistemas rodando em servidores, sendo utilizados de verdade, mas com o código privado.
Foi dessa percepção que nasceu o GaierOnBoard.
---
Os projetos estavam em lugares diferentes
Eu nunca comecei a desenvolver pensando em montar um portfólio.
Os projetos foram aparecendo conforme eu encontrava alguma atividade que poderia ser mais simples, uma rotina que poderia ser automatizada ou uma ideia que eu queria testar.
Quando percebi, havia aplicações no meu computador, repositórios no GitHub, sistemas publicados na web e anotações sobre coisas que eu ainda pretendia desenvolver.
Cada projeto tinha encontrado o seu próprio lugar, mas não existia um ponto onde eu pudesse olhar para todos eles juntos.
O Atende Rápido, por exemplo, começou por uma necessidade muito prática.
Durante atendimentos, eu utilizava várias mensagens parecidas. Poderia deixar tudo em um documento e continuar copiando e colando, mas isso ainda exigia interromper o que eu estava fazendo, localizar o texto certo, copiar e voltar para o sistema.
Então comecei a pensar em uma forma de tornar esse processo mais direto.
Hoje, com o aplicativo ativo, posso digitar uma sequência curta, como q1, e ela é substituída pelo texto que configurei.
Por exemplo:
q1Pode se transformar em:
Olá, tudo bem? Meu nome é Gabriel e vou ajudar você por aqui.A aplicação fica na bandeja do Windows e funciona em campos de texto de diferentes sistemas, e-mails, documentos e chats.
A ideia cresceu e passou a incluir um painel opcional de IA para corrigir, resumir, reescrever ou ajudar na criação de uma resposta. Mesmo assim, mantive uma regra importante: o conteúdo gerado aparece para revisão e não é enviado automaticamente.
Tecnicamente, o projeto utiliza Python, gera o executável com PyInstaller e o instalador com Inno Setup. As configurações ficam armazenadas localmente e a chave da API, quando utilizada, é protegida pelo próprio Windows.
Nesse caso, fazia sentido publicar o código, preparar um instalador e deixar tudo acessível pelo GitHub.
Mas essa lógica não servia para todos os projetos.
---
Quando percebi que o GitHub mostrava apenas uma parte
O ConectFlux começou de uma forma completamente diferente.
Como músico, eu tinha contatos de bares e restaurantes com os quais já havia conversado ou trabalhado. Com o tempo, aquelas conversas ficavam espalhadas e eu perdia o contexto de quando havia falado com cada local, qual havia sido a resposta e quando seria interessante tentar um novo contato.
A primeira ideia era muito ligada à minha própria rotina: organizar esses contatos e facilitar a retomada das conversas.
Depois, pessoas próximas que trabalhavam com vendas e lojas também enxergaram utilidade na ferramenta. A mesma organização que me ajudava a acompanhar contatos poderia ser utilizada para acompanhar clientes, oportunidades, agendamentos e atendimentos.
O projeto começou a crescer.
O que havia nascido como uma ferramenta para uma necessidade pessoal passou a ter acesso multiusuário, organização de conversas pelo WhatsApp, agendamentos, respostas rápidas, histórico de atendimento e uma estrutura de SAC.
Hoje o ConectFlux está rodando na web.
Ele existe, pode ser acessado e representa uma parte importante do que desenvolvi. Mas seu repositório não é público.
Foi nesse ponto que ficou ainda mais claro para mim que apresentar meu trabalho apenas pelo GitHub deixava uma parte importante para trás.
O projeto continua sendo algo que construí, mesmo quando o código precisa permanecer privado.
O GaierOnBoard me permitiu apresentar o ConectFlux pelo que ele é: uma aplicação em funcionamento, com uma origem, uma evolução e uma utilidade real.
---
Algumas ferramentas começam pequenas
O Timer Task também surgiu de algo cotidiano.
Eu queria entender melhor quanto tempo utilizava em cada projeto e atividade. Poderia anotar os horários em uma planilha, mas isso acabava dependendo de lembrar de preencher tudo depois.
Criei então uma aplicação simples para iniciar uma tarefa, finalizá-la e registrar automaticamente a duração.
A arquitetura é pequena, mas foi pensada para o uso real:
Timer Task
├── SQLite local
│ ├── configurações
│ ├── projetos
│ ├── tipos de atividade
│ ├── timer ativo
│ └── registros pendentes
└── Pasta escolhida pelo usuário
└── registros em CSVA aplicação mantém os projetos, os tipos de atividade, o timer ativo e os registros pendentes em um banco SQLite local.
Quando um registro é concluído, ele pode ser exportado em CSV para uma pasta escolhida pelo usuário.
Essa separação foi uma decisão importante.
O banco SQLite permanece no computador, onde não depende da estabilidade de uma pasta de rede. Apenas os registros concluídos são enviados para o local compartilhado.
Também adicionei recuperação do timer após o fechamento da aplicação, identificação de registros manuais e um UUID permanente para impedir linhas duplicadas nos arquivos CSV.
É um projeto relativamente pequeno, mas reúne decisões que surgiram do uso real.
Não foi apenas um cronômetro colocado em uma janela. Houve preocupação com falhas de rede, fechamento inesperado, duplicidade de registros e armazenamento local.
Esse tipo de detalhe é justamente o que gosto de registrar no Backblog.
O GaierOnBoard mostra o projeto. Aqui, consigo contar o caminho que levou até ele.
---
Um blog que também virou projeto
O próprio Backblog está entre os projetos reunidos no site.
No início, eu queria um espaço para escrever sobre tecnologia, desenvolvimento e experiências práticas.
Com o tempo, isso também se transformou em uma aplicação completa.
Hoje o Backblog possui:
frontend em Next.js;
backend em Node.js com Express;
banco de dados PostgreSQL;
autenticação local e por conta Google;
editor baseado em Tiptap;
histórico de revisões;
comentários com moderação;
RSS;
assistência de escrita com IA.
A IA não entrou apenas como um botão para gerar textos.
A estrutura foi pensada para acompanhar o processo de escrita, manter revisões e respeitar o perfil de cada autor. O objetivo é ajudar na construção do conteúdo sem apagar a voz de quem está escrevendo.
Este artigo, inclusive, faz parte daquilo que motivou o projeto: registrar o resultado, mas também o raciocínio, as mudanças de direção e as decisões tomadas durante o desenvolvimento.
---
Construir o GaierOnBoard também exigiu escolher o que não fazer
Quando decidi criar um site para reunir meus projetos, eu poderia ter aproveitado para desenvolver outro sistema completo.
Poderia ter criado um painel administrativo, uma API, autenticação e um banco de dados.
Mas eu já tinha um sistema para escrever e publicar conteúdos.
O GaierOnBoard precisava apresentar os projetos.
Por isso, escolhi uma estrutura estática:
HTML;
CSS;
JavaScript puro;
Nginx para publicação.
Não há banco de dados, dependências externas obrigatórias ou processo de build.
As informações dos projetos ficam concentradas em um arquivo JavaScript. Cada projeto possui nome, descrição, estágio atual, plataforma, recursos e links disponíveis.
A estrutura é semelhante a esta:
{
slug: "atende-rapido",
name: "Atende Rápido",
status: "Disponível",
platform: "Windows",
type: "Aplicativo desktop"
}Quando preciso atualizar alguma coisa, modifico o arquivo, faço o commit e busco a nova versão no servidor.
Eu poderia ter utilizado uma arquitetura maior, mas ela criaria mais manutenção do que valor para esse projeto.
Depois de trabalhar em sistemas com frontend, backend, banco de dados, integrações e diferentes processos de publicação, ficou mais fácil reconhecer quando tudo isso realmente era necessário.
A arquitetura do GaierOnBoard é pequena porque a função dele é clara.
Simplicidade também pode ser uma decisão de arquitetura.
---
Comecei a enxergar uma história entre os projetos
Depois que reuni tudo no mesmo lugar, passei a perceber algo que não ficava tão evidente quando os projetos estavam separados.
Eles são diferentes, mas seguem uma linha parecida.
O Atende Rápido surgiu da repetição de textos durante atendimentos.
O Timer Task nasceu da necessidade de registrar melhor o tempo utilizado nas atividades.
O RSS Hub Pessoal começou porque eu queria acompanhar diversas fontes técnicas em um único lugar.
O ConectFlux apareceu quando precisei organizar contatos e retomar conversas sem perder o histórico.
O Backblog foi criado porque eu queria um espaço próprio para escrever e organizar experiências.
Em quase todos eles, o primeiro passo foi observar alguma coisa que fazia parte da minha rotina.
Depois veio a tentativa de entender melhor essa atividade, retirar etapas desnecessárias e construir uma ferramenta que eu realmente utilizaria.
O GaierOnBoard acabou se tornando o lugar onde essa história fica mais visível.
---
O código vive no GitHub. Os projetos se encontram no GaierOnBoard.
Eu continuo usando o GitHub e considero ele essencial.
É onde o código vive, onde acompanho a evolução técnica e onde publico os projetos que podem ser abertos.
Mas o GaierOnBoard ocupa outro espaço.
Nele, consigo colocar lado a lado:
um aplicativo com código aberto;
uma ferramenta ainda em desenvolvimento;
um sistema com instalador disponível;
um projeto pessoal;
um produto comercial rodando na web.
Consigo apresentar o que construí sem limitar essa apresentação à disponibilidade de um repositório público.
Também posso voltar algum tempo depois e observar como cada ideia evoluiu.
Talvez esse seja o principal valor que encontrei no projeto.
Mais do que criar uma vitrine, construí um lugar para manter um registro daquilo que venho fazendo com tecnologia.
Um lugar para os códigos que publiquei, para os produtos que continuam privados, para as ideias que ainda estão crescendo e para as ferramentas que começaram apenas porque eu queria fazer alguma coisa de uma forma melhor.
Esse lugar é o GaierOnBoard.